Riverdale e uma amálgama que pode (pode) dar certo

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A CW sempre foi conhecida por suas séries teens, ao longo dos anos o canal trouxe produções que marcaram a adolescência de muita gente, como é o caso de One Tree Hill, The O.C. e Gossip Girl.

Paralelo a isso, a Freeform (antiga ABC Family) também apostou nas séries teens e acertou a mão com Pretty Little Liars, conquistando a audiência que tanto almejava. Além disso, a MTV apostou pesado no gênero com sucessos como Teen Wolf, Awkward, Faking It e Scream.

Riverdale, a nova série da CW, pega um pouco que todas essas séries citadas apresentaram e usa como pano de fundo para ressuscitar os personagens da Archie Comics, editora de quadrinhos conhecidas pelas suas histórias com personagens adolescentes.

A editora, inclusive, já teve outras incursões na TV anteriormente, com os desenhos animados The Archie Show (1968-1969) e Achie’s Weird Mysteries (1999-2000), ambos acompanhavam Archie Andrews e seus amigos, Veronica Lodge, Betty Cooper, Jughead Jones e Reggie Mantle, em aventuras na pacata Riverdale.

Na série, Archie Andrews (KJ Apa) é um jogador de futebol americano com aspirações musicais que leva uma vida normal em Riverdale, indo ao colégio e saindo para conversar com sua melhor amiga, Betty Cooper (Lili Reinhart), que tem uma paixão secreta pelo moço (série teen que se preze precisa ter pelo menos uma friendzone). Enquanto isso, Veronica Lodge (Camila Mendes) desembarca em Riverdale acompanhada de sua mãe (Marisol Nichols), na esperança de recomeçar a vida após o pai ser preso e toda a fortuna da família ter sido confiscada no processo.

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A rotina da pacata Riverdale vira do avesso quando Jason Blossom (Trevor Stines), desparece após um passeio de barco no rio da cidade junto com sua irmã gêmea, Cheryl (Madelaine Petsch).

Logo descobrimos que os irmãos não são adorados por todos em Riverdale. E as suspeitas sobre o desaparecimento de Jason tornam-se cada vez mais fortes, sobrando até para Cheryl, que usa o desaparecimento do irmão como manutenção da posição social que ocupa no colégio de Riverdale.

A série aparentemente não foge dos estereótipos do gênero (só vi o piloto, muita coisa pode mudar), Archie é o mocinho/bonitão/todas querem (60% das primeiras cenas e menções ao personagem envolviam o físico invejável de KJ Apa, não tô reclamando, o físico é invejável mesmo), Betty é a mocinha virtuosa com sangue de barata que tem potencial para evoluir de forma competente na trama, Veronica é a anti-heroína sagaz e moralmente questionável enquanto que Cheryl simplesmente não vale nada (ou será que vale?).

Riverdale, imagem do episódio piloto. Da esquerda para a direita: KJ Apa (Archie), Camila Mendes (Veronica) e Lili Reinhart (Betty)

Apesar de pesar para estereótipos, não há problema nenhum nisso. Um estereótipo pode ser uma coisa boa se bem feito, e Riverdale acerta na construção dos seus personagens.

Tem seus momentos cafonas, lógico, mas a presença de figurinhas carimbadas de séries teens soa até como uma paródia do gênero. O personagem de Cole Sprouse, Jughead Jones, por exemplo, meio que evidencia  e faz piada da canastrice da série ao escrever sobre os acontecimentos de Riverdale, semelhante à Noah Foster (Jon Karna) em Scream.

As afinadas atuações ajudam a elevar a qualidade de personagens que o roteiro apresenta de forma unidimensional num primeiro momento. A brasileira Camila Mendes é, de longe, o maior destaque de Riverdale ao compor uma Veronica divertida de acompanhar, sendo ela a personagem que causa maior identificação e simpatia pelo público.

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KJ Apa não faz nada de muito excepcional com seu Archie, mas acredito ser culpa de um roteiro que ainda tem muitas indecisões sobre que caminhos o personagem quer seguir. Archie é um adolescente que quer jogar futebol, ou ajudar o pai (Luke Perry), ou seguir carreira musical, ou se engraçar pra cima da professora do colégio, ou ficar com Betty, ou se engraçar com Veronica dentro de despensas após um jogo da garrafa clichê. São indecisões demais para um personagem só, o que pode tornar justamente o protagonista da série, aquele que deve ser o primeiro a ser cativante, em alguém chato e incoerente.

Por falar em indecisões, Riverdale pecou no piloto ao não definir melhor a época em que se baseia. Sim, agora com o episódio visto, dá para entender que a estética setentista é apenas estética e a série se passa realmente no presente (a menos que na verdade existia Twitter, notebooks e celulares nos anos 70, não lembro, sou dos anos 90).

Acredito que faltou um cuidado melhor ao apresentar a cidade como uma personagem da série também. Diabos, ela dá nome à série, Riverdale tem que ser tão importante para o espectador quanto Archie!

Riverdale, imagem do segundo episódio: "Chapter Two: A Touch of Evil" Da esquerda para direita: Ross Butler (Reggie Mantle), Cole Sprouse (Jughead Jones) e KJ Apa (Archie Andrews)

O problema maior com Riverdale não chega nem a ser seu primeiro episódio, mas sim o que a série pode vir a ser no futuro. Pretty Little Liars está aí para provar que não dá para segurar um mistério tanto tempo assim sem patinar.

Enquanto a série não definir de forma explicita que caminhos quer seguir, Riverdale vai soar apenas como uma mistura de maneirismos, estereótipos e clichês do gênero que funcionam bem, mas não fazem nada além do esperado.

E a série tem potencial pra muito mais que só “fazer o esperado”. Fico no aguardo, tivemos um bom primeiro episódio, estou torcendo por Riverdale.

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Riverdale (The CW, 2017-)

Riverdale (The CW, 2017-)
6,6

Roteiro

5/10

    Atuação

    6/10

      Fotografia

      9/10

        Trilha Sonora

        6/10

          Edição

          7/10

            Pros

            • Estereótipos que funcionam bem
            • Boa atuação por parte de Camila Mendes
            • História com potencial

            Cons

            • Estética mal trabalhada
            • Explora pouco a cidade que dá nome à série
            • Protagonista pouco interessante

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