Série original do TNT, ‘Rua Augusta’ não empolga em estreia

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De todas as cidades que conheci, São Paulo é a que mais tem histórias para contar. De todos os lugares da capital paulista, a Rua Augusta é um dos lugares que mais devem ter histórias para contar.

Muito conhecida por sua vida noturna, a rua é palco dos mais diversos tipos de rolês. De baladas  tradicionais, passando por programas indies e chegando em um “submundo” regado a bebidas, drogas e sexo. Um lugar onde as pessoas podem se soltar das amarras de uma vida regrada.

Quem olha assim, vê esse cenário como ideal para um produção que tem tudo para ter um tom caótico, mostrando o mais puro instinto do ser humano. E, sim, o local tem infinitas possibilidades de ser retratado, mas nem sempre isso dá tão certo. Esse é o caso da série ‘Rua Augusta‘, que estreou pelo canal fechado TNT.

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Fiorella Mattheis e Lori Santos, protagonistas da série

A série gira em torno de Mika, personagem de Fiorella Mattheis, stripper na Boate Love. Ela, assim como já é marca para esse tipo de personagem, tenta reconstruir sua vida após um passado que nos é apresentado como conturbado e misterioso.

Numa dessas noitadas, o destino da jovem se cruza com o do filho do poderoso empresário Maurício Amaral (Carlos Meceni), o que muda sua vida para sempre. E é aqui que a série se perdeu um pouco.

Em um primeiro momento, a série dá a entender que ela giraria em torno de um crime passional, uma vez que Mika é atacada por Lucas (Rafael Dib) dentro da boate Hell, gerida por Alex (Lori Santos). Mas com o desenrolar da trama, o espectador é apresentado a uma informação que causa uma reviravolta.

Nesse meio tempo, em forma de vingança, Dimas (Rui Ricardo), segurança da Hell e namorado de Mika, quebra o pau em cima de Lucas, tudo isso sendo acobertado por Alex e Raul (Milhem Cortaz). Ao exagerar na dose da violência, acredita-se que Lucas tenha morrido, mas isso é só a ponta do iceberg.

Milhem Cortaz se destaca ao fazer papéis de corruptos. Talvez seu grande trabalho tenha sido em Tropa de Elite, onde ele interpretava um policial... corrupto.

Milhem Cortaz se destaca ao fazer papéis de corruptos. Talvez seu grande trabalho tenha sido em Tropa de Elite, onde ele interpretava um policial… corrupto.

Ao colocar vida de Lucas em grande risco, Raul, Alex e Dimas passam a correr grande perigo, uma vez que o pai do garoto, o empresário Maurício Amaral, fará de tudo para saber quem fez isso com seu filho.

Essa parte é bem retratada, ao mostrar como pessoas com dinheiro encontram maneiras de se obter o que quer, principalmente quando tem um “cão de guarda” como César (Zemanuel Piñero), uma espécie de consiglieri da máfia italiana. E Zemanuel tem pinta de mafioso, vale ressaltar.

Com o desenrolar da trama, exibida pela primeira vez em dois episódios de 30 minutos, o que até então parecida ser um crime passional, se torna um caso de família. Lembra lá no começo do texto, onde disse que Mika tem um passado conturbado e misterioso? Pois é. Na real, ela é irmã de Lucas.

Um dos pontos altos da estreia foi a atuação de Pathy Dejesus

Um dos pontos altos da estreia foi a atuação de Pathy Dejesus

A história ainda apresentou outros dois núcleos além do de Mika, que certamente se chocarão ao longo dos episódios. O primeiro conta a história de Nicole (Pathy Dejesus) que, assim como Mika, também trabalha na boate de strip-tease. E ela também esconde sua história.

Nicole namora Bruno (Jonathan Haagensen), de quem esconde seu verdadeiro trabalho. Enquanto ele pensa que ela está trabalhando em uma empresa, ela está fazendo suas performances na Rua Augusta.

O outro núcleo, que ainda está confuso, é o que envolve o jornalista Emilio (Rodrigo Pandolfo). Ele nos é apresentado quando visitava o amigo Alex, na Hell, para obter informações sobre um outro crime. Fora o fato dele ter tido um início de relação com Nicole, não temos mais informações sobre ele.

Rodrigo Pandolfo faz o jornalista Emílio

Rodrigo Pandolfo faz o jornalista Emílio

Rua Augusta tinha tudo para ser uma série incrível, mas ela patinou demais em sua estreia. Ao optar por ser uma trama linear, ao estilo novela, onde um episódio depende do anterior, ela acaba deixando muitas pontas soltas, que serão respondidas ao longos dos capítulos. Por mais que isso seja algo corriqueiro, causou incomodo em um primeiro momento. A série se torna bem confusa em algumas partes. Como tem muita coisa acontecendo em núcleos que se chocam a cada cena, as interrogações só aumentam na cabeça do espectador.

A questão da empatia também pesa muito contra a produção. Nenhum dos personagens acabou me cativando. Por mais que cada um tenha sua linha e justificativa, nesse primeiro momento, não fizeram por onde para prender a minha atenção. A atuação é boa, mas é atrapalhada por um roteiro fraco.

O grande ponto positivo da produção foi sua ambientação. Eles trabalharam muito bem ao retratar a Rua Augusta. Por se passar boa parte dentro das boates, o contraste do escuro do ambiente com as luzes, principalmente os neons em cena, gera um contraste bem bacana de se ver.

Rua Augusta tem como inspiração a série israelense Allenby Street, de 2012. Com indicação de idade a partir dos 16 anos, ela é regada por nudez, sexo, corrupção e consumo de droga. Exibida pelo TNT, ela terá, ao todo, 12 capítulos de meia hora cara. Ela vai ao ar nas quintas-feiras, na faixa das 22h30. Suas reapresentações ocorrem aos domingos, quartas e quinta-feiras, sempre antes do capítulo inédito da semana.

Ela foi escrita por Ana Reber, Jaqueline Vargas e Júlia Furrer e tem a direção de Pedro Morelli e Fábio Mendonça.

Já assistiu a série Rua Augusta? Conta pra gente o que achou.


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e de outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui!

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