A sétima temporada de Game of Thrones e o erro de dar aos fãs o que eles querem

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Game of Thrones sempre foi uma série complicada desde sua proposta até sua execução. Nas últimas seis temporadas vibramos com todas as reviravoltas, traições, mortes inesperadas (ou não) e batalhas dignas de cinema. E também relevamos muitos dos seus problemas de roteiro e ritmo. Afinal, grande parte do “ser fã” reside na ideia errônea que o objeto de devoção é livre de falhas.

A grande verdade é que Game of Thrones não é uma série perfeita. E sua sétima temporada fez questão de mostrar isso.

Lena Headey

Lena Headey

A estrada até aqui

Desde sua estreia em 2011, GoT preparava terreno para um choque de núcleos. Era aguardado o confronto entre os Targaryens e os Lannisters, a aliança/romance entre Daenerys (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harrington) e o reencontro dos Starks que passaram os últimos anos separados. Mas GoT não é uma série fácil, passaram-se episódios e mais episódios dos personagens se movimentando a passos lentos no grande mundo criado por George R.R. Martin. Algo que muitos dirão que é cansativo, mas necessário.

Os episódios baseados pura e simplesmente na caminhada foram essenciais para construir os personagens que amamos. Você gosta da Daenerys porque acompanhou sua jornada de Pentos até Pedra do Dragão. O mesmo com Arya (Maisie Williams), toda a jornada da personagem, partindo do Septo de Baelor na primeira temporada, até o regresso à Winterfell foi vital para nos identificarmos com ela.

Logo, a sétima temporada marca o inicio do fim para Game of Thrones (temos mais uma temporada de seis episódios em 2019) e prometeu coroar todo esse desenvolvimento de personagem dos últimos seis anos. Uma sétima temporada que deu exatamente o que os fãs queriam: reencontros, dragões, mortes, dragões, batalhas, white walkers e… dragões.

Não é demérito nenhum dar aos fãs o que eles querem, Game of Thrones não só pode como deve fazer isso com seu público. Mas o problema desse sétimo ano foi em justamente atender demandas que não necessariamente fazem a série crescer. GoT apresentou episódios com roteiros que entregavam soluções óbvias e que já eram esperadas pelos fãs. Para uma série que sempre se baseou em reviravoltas inesperadas, soluções óbvias empobreceram o resultado final.

Jacob Anderson, Peter Dinklage e Emilia Clarke

Jacob Anderson, Peter Dinklage e Emilia Clarke

Já era de se esperar um romance entre Jon e Daenerys, ou a morte de Mindinho (Aidan Gillen), ou o choque entre Arya e Sansa (Sophie Turner). A série apresentou soluções tão preguiçosas que o momento mais surpreendente, pra mim, foi a morte das Serpentes da Areia no segundo episódio (“Stormborn”). Eu gostava delas, mesmo sendo completamente mal aproveitadas.

Essa preguiça em buscar caminhos diferentes do esperado não colocou os personagens na zona de perigo como Game of Thrones sempre fez. Temporada após temporada você temia pela morte de diversos personagens queridos, coisa que não aconteceu esse ano.

Por exemplo, o cliffhanger deixado no quarto episódio (“The Spoils of War”) tentou colocar  Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) sob risco de vida, mas a série vinha numa sequência de soluções tão óbvias que não causou o efeito esperado. GoT já matou personagens importantes por coisa menor.

Outro caso semelhante foi o desastroso “Beyond the Wall”, sexto episódio da temporada. Tirando um bom momento em que Tormund (Kristofer Hivju) quase parte desta para uma melhor, todo o plano de capturar um white walker teve um senso de perigo quase nulo. A temporada ganharia muito com a morte de Tormund ou qualquer outro personagem realmente grande nesse episódio (eu toparia a morte de Jorah Mormont). E, convenhamos, a morte de Thoros de Myr (Paul Kaye) não teve peso nenhum.

Nos mínimos detalhes (até demais)

“Beyond the Wall” ainda marca o pior dessa temporada no quesito construção de diálogo. Todo o sétimo ano da série foi marcado por diálogos expositivos que recordavam eventos acontecidos em episódios e/ou temporadas atrás. Sim, Game of Thrones é uma série complexa com um grande número de plots e personagens que tem que ajudar o espectador a se localizar sempre que possível, mas isso é possível de ser feito sem a necessidade de tantos diálogos e cenas expositivas.

Precisava realmente mostrar o Mindinho atrás da pilastra pra evidenciar que ele estava manipulando Sansa e Arya? Precisava gastar tempo com Gendry (Joe Dempsie) de mimimi por Thoros de Myr e a Irmandade Sem Bandeiras terem vendido o moleque pra Melisandre (Carice Van Houten)? Na boa, alguém se importa com Gendry?!

Nessa toada dos diálogos expositivos, GoT acabou por errando a mão na hora de trabalhar personagens que até antes eram bons. Davos (Liam Cunningham) virou um péssimo alívio cômico sempre com sacadas espirituosas fora do tempo, Jaime Lannister virou um bundão e Tyrion (Peter Dinklage), um dos melhores personagens da série, passou os últimos sete episódios resumido em um cara que dá conselhos usando frases de efeito e metáforas.

Peter Dinklage, Nathalie Emmanuel e Kit Harrington

Peter Dinklage, Nathalie Emmanuel e Kit Harrington

Toda série tem problemas de roteiro vez ou outra, o que torna tudo tão gritante para Game of Thrones é que existe um grande abismo na qualidade do que foi apresentado esse ano em comparação com temporadas anteriores. Isso sem falar dos problemas de ritmo e coerência, distâncias que antes eram percorridas ao longo de uma temporada inteira agora duram poucos minutos.

Não é um problema enorme, claro, tivemos apenas sete episódios dessa vez e era necessário um maior dinamismo, mas essa falta de coerência com relação ao tempo e espaço prejudica a qualidade da série no conjunto da obra. Galera que irá maratonar a série após o fim dela vai sentir mais ainda esse dinamismo repentino.

Game of Thrones fez uma temporada de potenciais desperdiçados, mas ainda assim guardou bons momentos. Foi interessante ver o choque de ideologias entre Jon Snow e Sansa, mesmo que tenha sido só um flerte. A despedida de Olenna Tyrell (Diana Rigg) foi um show de atuação por parte de Rigg e Nikolaj Coster-Waldau e a presença de Euron Greyjoy (Pilou Asbæk) ajudou a equilibrar a briga entre Cersei (Lena Headey) e Daenerys. Além disso, questões técnicas da série permanecem impecáveis, os dragões de Daenerys são deslumbrantes e os white walkers são ameaçadores pois todo o conceito ao redor deles funciona bem.

Game of Thrones retorna apenas em 2019 e até lá espera-se que aprendam a não entregar só que os fãs querem, mas sim o que a série e os fãs precisam.

Qual sua opinião sobre a sétima temporada de Game of Thrones? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

Game of Thrones - Sétima temporada (2017)

Game of Thrones - Sétima temporada (2017)
7

Roteiro

5/10

    Atuação

    7/10

      Fotografia

      8/10

        Trilha Sonora

        9/10

          Edição

          6/10

            Pros

            • Boas atuações
            • Efeitos especiais e fotografia excelentes

            Cons

            • Má condução da narrativa
            • Diálogos expositivos
            • Descaracterização de personagens
            • Mal uso do tempo e espaço

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