Sonho de um amor de verão

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Férias, curtição, verão. As três palavras mágicas que iniciam a melhor temporada da sua vida. É nesse meio tempo que você vai à praia, conhece gente nova e também novos lugares, vive situações mais que inusitadas, que até então você havia jurado nunca passar por elas. É nesse momento que você pode descobrir coisas sobre si próprio, além de esbarrar com um amor de verão. Falamos amor de verão, mas vai mais para o lado de uma paixão, porque vamos combinar que em dois meses não dá para amar alguém assim de cara. Começa sempre com aquela mesma história: vê o cara bronzeado saindo do mar, cabelos balançando, a prancha embaixo do braço, shorts de surfista e aquela tatuagem tribal. Pronto! Era tudo o que precisava para se apaixonar.

Ela estava lá, tomando sol e tentando pegar aquela corzinha do pecado sem parecer um camarão. Com o livro nas mãos, pagando de intelectual na praia, era esse o aliado para poder admirar a vista do surfista bronzeado vindo logo ali. Disfarçadamente, abaixa um pouquinho o óculos de sol, só para poder enxergar sem filtro algum. Dá aquela jogada no cabelo e abre o sorriso. Pronto!

– Como tá quente, né? – Diz ele parando bem ao lado dela.

– Demais! O sol tá começando a ficar quente demais pra ficar aqui torrando – Responde ela em meio a uma risada sem jeito.

– Topa uma água de côco então? Bem gelada pra refrescar? – Convida ele tirando o excesso de água dos cabelos ondulados.

– Claro! Vai ser ótimo pra refrescar! – Diz ela já deixando o livro intelectual de lado e seguindo em direção ao quiosque.

Um diálogo curto, direto e bem claro. Bastou quatro frases para que o papo fluísse tão bem, que nem parecia que eles tinham se conhecido naquele momento. Parecia que se conheciam há anos, com gostos musicais muito compatíveis, assim como os filmes, séries, hobbies e comidas. Nossa, como era possível encontrar alguém tão parecido em meio aquele mar de gente na praia? Probabilidade, destino, coincidência? Ninguém sabe. Pode ser apenas a magia do verão.

Depois de 1h30 min de pura conversa, o sol já começava a se pôr e ela tomou a iniciativa de se despedir.

– Meu Deus, como a hora passou voando! – Disse com o sorriso mais bonito que tinha.

– É que quando o papo tá bom a gente nem vê o tempo passar… – Falou ele passando a mão nos cabelos castanhos e ondulados.

– Bom, muito obrigada pela água de côco e pela ótima companhia, viu? – Disse ela sem jeito e querendo ficar ali por mais algumas horas.

– Imagina, eu que agradeço a sua companhia! – Falou ele sucinto.

Ela estava perdendo as esperanças de que houvesse algo mais, quando finalmente ele pegou no braço dela e pediu seu número.

– Passa seu número pra gente combinar alguma coisa amanhã? – Pediu ele todo sem jeito.

– Claro! – Respondeu ela já pegando uma caneta e um pedaço de papel na bolsa.

Meio envergonhada, ela anotou no papel seu número e colocou também seu nome do mesmo modo que estava no Facebook. Vai que ele decidisse procurar saber mais sobre ela, ali já estaria a primeira pista.

– Aqui está! Me liga amanhã que a gente combina tudo certinho. –  Falou jogando o cabelo de lado.

– Pode deixar que eu ligo! – Disse ele já puxando ela pra um abraço de despedida.

Então, ela saiu toda saltitante em direção ao apartamento que tinha alugado. “Quando foi mesmo que eu neguei passar esses dias na praia?”, pensou ela enquanto subia as escadas. O destino estava tratando de juntar ela com alguém parecido e bronzeado.  Quando que ela conheceria alguém assim? Agora, caindo na realidade, ela tinha plena consciência que não era pra sempre. Aliás, toda mulher tem essa percepção. Não é porque o cara curte as mesmas músicas que ela, gosta das mesmas comidas e tudo mais, que é preciso ter um relacionamento sério com ele e no futuro casar. Por favor…

No dia seguinte, ela resolveu ficar ainda mais bonita para o encontro. Passou o dia se embelezando. Fez as unhas, hidratou os cabelos e a pele. Tomou um longo banho de banheira, e no final foi decidir qual roupa deveria usar. Onde seria o encontro? Beira mar? Barzinho? Restaurante? Que horas seria? Ela não sabia praticamente nada, então, resolveu esperar a ligação do Deus Grego bronzeado. 19h42 min, o celular dela toca. Um número não registrado na agenda. Era ele!

– Alô?

– Fer? É o Otávio, lembra de mim?

– Ah, oi, Otávio! Claro que lembro – Responde ela com aquela cara de boba.

– Nove horas no quiosque, pode ser? – Pergunta ele direto demais.

– Claro que pode! E o que vai ser? Barzinho ou beira mar mesmo? – Tenta ela sondar como seria esse encontro.

– Vai ser surpresa! Te encontro no quiosque então. Beijão! – E desliga.

Surpresa. Ela ficou repetindo essa palavra durante um bom tempo. Bom, ela tinha menos de duas horas para se arrumar para um encontro surpresa. Que ótimo! Usa paetê ou estampa floral? Salto ou rasteirinha? Uma saia mais chique ou um shorts jeans? Ela não tinha a mínima ideia. No fim das contas, optou por um look clean, um vestidinho leve verde água, uma sandália de salto baixo e incrementou com umas bijus douradas. Soltou o cabelo e passou um batom cor de boca. Pronto! O relógio marcava 20h49 min. Na hora certa. Resolveu já partir para o local de encontro, assim admiraria o Deus bronzeado chegar.

Quando chegou no quiosque, ele já estava lá. Com uma camisa coral, uma bermuda branca e um sapatênis, ele estava perfeito! A cor da pele bronzeada ficava totalmente harmônica com as cores escolhidas na roupa. Meu Deus! Logo que a viu, ele já veio ao seu encontro, possibilitando sentir a fragrância suave e refrescante. Ah, perfumes masculinos! Um breve cumprimento e já seguiram para o seu carro com destino à surpresa.

A música era ótima, o lugar incrível e a companhia ainda melhor. Ele escolheu um restaurante flutuante. Ela agradeceu imensamente não ter escolhido o shorts jeans. Tudo estava combinando naquela noite. Perfeito!

Às 4h00 da manhã ela estava entregue. O Deus grego bronzeado sabia como conduzir uma noite especial, disso ela não tinha dúvidas. O jantar foi perfeito, o passei ainda mais e, para finalizar, seu beijo também foi ótimo. De onde ele tinha surgido mesmo? Ah, do mar… e que mar, heim?! Com apenas um dia ela já estava suspirando feito uma adolescente, imagina com os próximos cinco dias que viria a seguir. Será que ele vai ligar de novo? Será que ele gostou do encontro? Será que não fui fácil demais? As paranoias femininas já chegavam para atormentar sua cabeça. “Deixa rolar”, disse ela a si mesma. O melhor a se fazer é deixar o tempo passar e não criar expectativas.

E foi o que ela fez. Durante a semana que ficou na praia Otávio ligou todos os dias. Se encontraram, jantaram, cantaram no karaokê num restaurante perto da orla, andaram de barco, visitaram uma ilha deserta e muito mais. O amor de verão dela estava lindo, perfeito e real até demais. No último dia, ela sabia que o romance de praia não continuaria. O que aconteceu ali permaneceria ali. Ela tinha seu número e já havia adicionado no facebook. Então, se quisesse manter contato era só mandar um “E aí, tudo bem?”. Ele não iria fugir, pelo menos era o que ela pensava.  Na despedida, o pôr do sol marcou presença novamente, assim como no primeiro dia. Lá estava ele, servindo como plano de fundo para mais um amor de verão, entre os muitos que ele já viu nascer, permanecer e morrer naquela areia. “O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que vai chegar”.


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