Supergirl é a melhor série da DC na CW atualmente

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Quando Supergirl estreou na tela da CBS em meados de 2015, ouvi o seguinte comentário em resposta à minha recomendação: “mas Supergirl é série de menina, não é meu público-alvo”. Claro, a série sempre se beneficiou por ter elementos que causam identificação para o público feminino, mas esse nunca foi o objetivo dela.

E, convenhamos, se você, em pleno 2018, ainda acredita que determinada produção é feita “só para meninas” ou “só para meninos” (ou acredita que algo ser “de menina” significa que é ruim), você está redondamente enganado. E eu espero que sua mãe te deixe sem o lanchinho no recreio da terceira série por falar uma coisa dessas.

O ponto é que sim, Supergirl é um marco no quesito representatividade e feminismo para TV, mas vai além de qualquer agenda feminista. A série sabe dosar sua responsabilidade social com as já tradicionais tramas novelescas da CW, que assumiu a exibição a partir da segunda temporada, salvando-a de um cancelamento precoce e da exibição/divulgação desrespeitosa da CBS.

Cena de Supergirl, representatividade tem tanta importância quanto um história bem conduzida

Cena de Supergirl, representatividade tem tanta importância quanto uma história bem conduzida

Ela tem seus problemas, é importante ressaltar. A começar por uma primeira temporada insossa e que demorou a engrenar passando pelo personagem preguiçoso, mal aproveitado e chato que é James Olsen (Mehcad Brooks). James talvez tenha sido a única coisa que funcionava sem problemas na primeira temporada por ter seu triangulo amoroso envolvendo Kara (Melissa Benoist) e Lucy (Jenna Dewan Tatum). Superado esse triângulo, o personagem ficou restrito a plots desinteressantes, não servindo nem de herói sob a alcunha de Guardião e muito menos como interesse amoroso de Kara.

O insucesso de James como personagem só mostra como, apesar do título afirmar Supergirl como melhor série da DC na CW, ela não é perfeita. A primeira temporada é a mais fraca e diversos momentos do segundo e terceiro ano são pontuados por roteiros banais e que pouco acrescentam à trama ou aos personagens.

Apesar de imperfeita, Supergirl tem conseguido algo que as outras séries da DC na CW não tem conseguido manter: consistência.

The Flash começou excelente, mas conforme as temporadas caminhavam e se tornavam mais complexas, mais a série sofria com histórias mal conduzidas, culminando numa terceira temporada desastrosa e uma quarta que tem demorado a engatar.

Arrow ainda tem sua dose de estabilidade, mas a necessidade de se levar à sério demais não dialoga completamente com a atmosfera bem mais descompromissada do Arrowverse. Transformando a série numa maçaroca de tons desconexos e decisões questionáveis. Ou Legends of Tomorrow, o completo oposto de Arrow, uma vez que abraça a galhofa, mas que ainda assim apresenta decisões questionáveis e no orçamento apertado por ter que enfiar diversos personagens numa mesma festa.

Supergirl consegue segurar bem suas tramas da temporada, ao contrário de Flash e sua patética abordagem dada ao Ponto de Ignição. Além de saber dosar a galhofa com temas sérios, dando boas dimensões aos personagens. A segunda temporada, inclusive, tem uma excelente sequência de episódios na sua reta final que conseguem tratar de temas sérios sem deixar de ser divertido. Nesse segundo aspecto, Legends em alguns momentos flerta com tal qualidade, mas não é tão bem sucedida quanto Supergirl.

Melissa Benoist, Chyler Leigh e Jeremy Jordan em cena de Supergirl, comédia e drama bem dosados com atuações competentes

Melissa Benoist, Chyler Leigh e Jeremy Jordan em cena de Supergirl, comédia e drama bem dosados com atuações competentes

Para coroar um roteiro que acerta em muitas das suas intenções temos uma atuação competente por parte do elenco. Melissa Benoist e Chyler Leigh carregam toda a carga dramática da série com maestria, Jeremy Jordan também é outro que entrega, apesar de ficar restrito em muitos momentos como alívio cômico.

Talvez o problema de todo este artigo é que, infelizmente, para as séries da DC na CW, temos que nivelar as coisas muito por baixo. Ainda falta um maior amadurecimento do canal com suas produções, que acaba por simplificar demais plots e resoluções em prol do espectador casual.

Claro, não podemos exigir uma Legion de qualidade televisiva em roteiro e linguagem, mas potencial existe, principalmente em Supergirl, para elevar as séries da DC na CW a novos patamares. É esse potencial, explorado na maciota pela série, que a faz uma das melhores produções do canal.

Concorda com Supergirl sendo a melhor série da DC na CW? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Murilo Rosella. Ela e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui

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