As melhores novas séries de 2017

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Quando escrevi sobre The Handmaid’s Tale em agosto desse ano, comentei sobre como as pessoas se precipitavam demais em falar que a série do Hulu que adaptava o livro de Margaret Atwood, afinal, a série estreou em abril.

Agora estamos concluindo um ano repleto de boas produções na televisão. Esse sim é um bom momento para falar quais são as melhores séries de 2017. Para a lista, considerei apenas séries que estrearam esse ano, por isso veteranas como Game of Thrones ou The Walking Dead ficaram de fora. A lista está em ordem de preferência do menor para o maior.

7. GLOW

Glow_netflix

A Netflix lança 450541 séries por semana e nem que eu me divida em cinco, conseguiria ver todas. GLOW é um dos raros casos de série do serviço (junto de American Vandal e 13 Reasons Why) que consegui assistir com o mínimo de fidelidade esse ano.

A comédia acompanha o Gorgeous Ladies Of Wrestling, um grupo de luta-livre composto apenas por mulheres, tentando emplacar na televisão, tendo como diretor Sam Sylvia (Marc Maron), um cineasta frustrado.

GLOW não é uma comédia imperdível, ela é só mais uma integrante do panteão de séries protocolares na produção em massa capitaneada pela Netflix. A história é interessante, claro, e tem pertinentes contribuições no que se refere à feminismo e representatividade, mas não faz mais que a obrigação.

O que torna GLOW relevante a ponto de entrar nessa lista é o fato de ser regada por personagens e atuações cativantes. Destaque para a protagonista vivida por Allison Brie, a atriz consegue trabalhar bem as inseguranças da protagonista e transita com competência entre o drama e a comédia.

Além do trabalho de Brie, GLOW ainda consegue oferecer uma interação palpável entre seus personagens, é crível ver como cada um deles reagem ao que está ao redor, condizendo com a personalidade de cada um.

6. Westworld

Westworld_hbo

Produzida pela HBO e com nomes como J.J. Abrams Christopher Nolan no projeto, Westworld era uma série que já nasceu com uma legião de fãs obcecados.

Adaptação do filme de 1973 escrito por Michael Chrichton, Westworld acompanha um parque de diversões de temática faroeste povoado por robôs que começam a adquirir consciência.

Nessa trama básica de ficção-científica, sobram discussões filosóficas sobre a natureza humana regadas à excelentes atuações de Jeffrey Wright, Evan Rachel Wood, Thandie Newton e Anthony Hopkins.

Um fator que impediu Westworld de ficar mais bem colocado na lista talvez seja a pretensão excessiva dela. A série caminhou ao longo dos dez episódios por trajetos maçantes e pouco recompensadores na busca por querer parecer inteligente. Ainda era uma boa história com excelentes atuações, mas toda a roupagem “quero ser cult” incomoda muito.

Dá pra ser uma excelente série com bons debates filosóficos sem ser pretensiosa demais, Game of Thrones tá aí para provar isso ou, já que estamos falando de ficção-científica, Battlestar Galactica.

5. Mr. Mercedes

MrMercedes_AudienceNetwork

Adaptação da trilogia Bill Hodges, de Stephen King, Mr. Mercedes tem na produção David E. Kelley (responsável por Big Little Lies e Ally McBeal) e exibida pela Audience Network, mesmo canal da espetacular Kingdom.

A série acompanha Bill Hodges (Brendan Gleeson), um detetive aposentado que volta à ativa após o Mr. Mercedes, um assassino que ele nunca conseguiu prender, ressurge para continuar seu jogo sádico.

Mr. Mercedes tem um dos melhores episódios piloto que vi em 2017 e também um dos melhores desenvolvimentos da trama. É uma série lenta, toma-se tempo para conhecer os personagens e a nuance de cada um deles, mas é um tempo bem usado. A calmaria no desenvolvimento é recompensada por diálogos bem construídos.

Brendan Gleeson apresenta um bom protagonista, embora o destaque vá para Harry Treadaway como o vilão Brady Hartsfield. A série fez um excelente trabalho ao transpor as páginas de King para a TV e Treadaway faz bom uso delas. Tudo isso regado à uma trilha sonora ótima.

4. Legion

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A única adaptação de quadrinhos da lista, Legion pega a história de David Haller, filho do professor Xavier dos X-Men, e traz de forma completamente inusitada para a TV. É uma série que foge do lugar comum e por isso chama a atenção.

Dan Stevens faz um trabalho impecável ao trazer David, um homem diagnosticado com esquizofrenia que nem imagina ser um dos mutantes mais poderosos do mundo. A série brinca com o espectador ao trazer episódios com uma estética e construção da narrativa diferente do que é visto na TV, mas que para a série faz total sentido.

Como é o caso do sexto episódio da primeira temporada que se passa totalmente na cabeça de David e tem uma cena de dança protagonizada por Aubrey Plaza que, apesar de aleatória, faz total sentido. Plaza, por sinal, é incrível na série e merecia ao menos ter sido indicada ao Emmy de melhor atriz coadjuvante esse ano.

3. The Deuce

TheDeuce_HBO

Mais uma da HBO, The Deuce é uma série que não tem pressa, e nem deve ter. Os personagens são tão bem construídos e apresentados que anula qualquer necessidade protocolar de ter uma trama principal da qual se prender. Ainda assim, a trama principal existe e é boa de acompanhar.

Criada por David Simon (de The Wire) e com James Franco e Maggie Gyllenhaal no elenco, The Deuce  aborda a pornografia e prostituição da Nova Iorque da década de 70. A trama cercada de sexo, drogas e violência, é um drama bom de acompanhar com um desenvolvimento exemplar de personagens que são cativantes a partir do primeiro momento deles em tela.

2. American Vandal

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Se GLOW passou despercebido pelo grande público, American Vandal mais ainda. O que é uma pena, a série em formato de mockummentary acompanha uma investigação de vandalismo numa escola americana.

A trama é esdrúxula e a forma como é desenvolvida usa a seriedade de documentários criminais para fazer piada. American Vandal passa longe de ser apenas uma série de comédia quando dá dimensões não esperadas para sua história e traz boas discussões sobre a juventude americana e o sistema escolar.

Sem dúvida uma das maiores surpresas do ano no quesito comédia.

1. The Handmaid’s Tale

HandmaidsTAle_Hulu

Alguém duvidava da primeira colocada? Das 12 indicações ao Emmy 2017, The Handmaid’s Tale ganhou oito.

Adaptação de O Conto da Aia, livro de Margaret Atwood, conta a história de um Estados Unidos distópico em que o governo foi substituído por uma teocracia. Nesse novo país, as poucas mulheres fertéis são obrigadas a servirem de escravas de indivíduos poderosos e governantes para que esses possam gerar filhos.

Dona de uma fotografia e trilha sonora excelente, The Handmaid’s Tale não se limita a ser bela tecnicamente apenas, é uma série que apresenta um roteiro impecável e atuações que cativam.

É uma série incômoda, a temática te deixa mal por ser algo assustadoramente próximo da realidade. A forma como a narrativa é conduzida exalta essas qualidades da série em fazer chocar.

The Handmaid’s Tale é uma série que merece todos os elogios que recebeu em 2017.

E aí, concorda com a lista? Quais são suas séries favoritas de 2017? Deixe seus comentários!


Este post só foi possível com a ajuda de Murilo Rosella e outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui.

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