The Mandalorian é estilosa, e só

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Boba Fett é dono de um dos designs mais icônicos de Star Wars. A armadura mandaloriana é repleta de detalhes e o universo expandido fez um trabalho legal ao trazer mais sustância para uma simples vestimenta. Quase que uma reparação histórica por George Lucas ter apresentado um mandaloriano com a personalidade de um pedaço de papelão na trilogia original.

Logo, o anúncio de The Mandalorian era repleto de expectativas, não apenas por ser a primeira produção mainstream a ter os mandalorianos como foco. Era a primeira série live-action baseada no universo de Star Wars, a primeira empreitada de Jon Favreau no mundo criado por George Lucas e o lançamento que marca o início das operações do Disney+, o serviço de streaming da empresa que só não comprou nossas almas ainda porque não quis (ou comprou e a gente é que não sabe).

Resumindo, a série tem a responsabilidade de atender diversas expectativas. E talvez essa tenha sido a sua ruína.

The Mandalorian acompanha o personagem de Pedro Pascal (chamado apenas de Mandaloriano nos dois episódios já exibidos), um caçador de recompensas implacável numa galáxia ainda tentando entender o que a queda do Império (mostrada em O Retorno de Jedi) significa. A vida dele é chacoalhada quando recebe a missão de levar um indivíduo misterioso até um planeta distante para ser executado. Os contratantes são comandantes do que sobrou do Império Galático e que, ao que tudo indica, tem opiniões diferentes acerca desse indivíduo e seu destino.

A série pretende mostrar mais da cultura dos caçadores de recompensa e como funcionam essas organizações ao redor da galáxia, também visa mostrar como tudo se desenrolou imediatamente após a queda do Império no episódio VI — algo também mostrado na trilogia “Aftermath” de Chuck Wendig —, tudo isso se apoiando num clima de faroeste espacial que agrada bastante.

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Tal como o seu personagem principal, The Mandalorian é uma série estilosa. Ela é bonita visualmente pela fotografia bem trabalhada e a série de pequenos detalhes familiares e novos aos fãs da franquia. O fator familiar a Star Wars está lá ao lado de novos elementos e criaturas.

Do ponto de vista técnico, The Mandalorian é impecável e empolga. Entretanto, o roteiro peca por ser simplesmente desinteressante. Com dois episódios de quase quarenta minuto exibidos pelo Disney+, você aproveita muito pouco deles.

É uma colagem de cenas do personagem de Pedro Pascal sendo um caçador de recompensas implacável tratando todo mundo com frieza e apresentando vez ou outra vislumbres de um passado traumático envolvendo a família. Só isso.

Nós já tivemos caçadores de recompensas implacáveis com um passado traumático antes. Dá pra fazer melhor. E espero que possam fazer melhor. É frustrante ver o quanto The Mandalorian ficou no lugar comum no que se refere ao seu texto.

Claro, temos bons momentos. Toda a sequência de ação envolvendo o Mandaloriano e o dróide dublado por Taika Waititi no primeiro episódio. Um momento divertido e empolgante em um episódio que não aconteceu muita coisa de relevante. The Mandalorian soa sem foco em muitos momentos, desviando intermináveis minutos para mostrar o personagem principal aprendendo a montar uma criatura alienígena, por mais desnecessário que seja. E é tudo muito bem feito, fotografia, efeitos especiais, trilha sonora, tudo no ponto.

Só faltou ter carisma.

Está acompanhando The Mandalorian e tem teorias sobre o que significa o bebê Yoda? Deixe seus comentários!

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