Vale Ver | Apóstolo

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O mundo do entretenimento tem passado por diversas ressignificações sobre o horror recentemente. Filmes como A Bruxa, Um Lugar Silencioso, Corra! e Hereditário jogam clichês do gênero para o lado e busca explorar o medo e tensão de forma mais constante e focada na sugestão, diferente dos jump scares que estamos acostumados a ver por aí. Apóstolo faz parte dessa nova leva do horror, por mais que ele seja bem mais orientado para a ação do que para o terror.

Dirigido por Gareth Evans (Operação Invasão), Apóstolo acompanha Thomas (Dan Stevens), um homem que parte para uma ilha isolada da sociedade em busca Jennifer (Elen Rhys), sua irmã que foi sequestrada pelo culto que ocupa aquela região.

O culto comandado pelo Profeta Malcolm (Michael Sheen) prega sacrifício de sangue para que uma deusa, chamada apenas de Ela, possa abençoar as terras e os habitantes da ilha com vida. Nesse ambiente hostil e que remete a uma fé que Thomas deixou de acreditar a anos, ele precisa sobreviver enquanto age nas sombras para resgatar a irmã.

Como disse anteriormente, Apóstolo é uma amalgama de gêneros e predomina a ação ao invés do horror, por mais que o elemento do suspense ainda esteja lá. O filme de Evans consegue caminhar bem entre ação e horror ao longo de suas duas horas de duração. Tempo que poderia ter sido reduzido.

Apóstolo é um filme que demora pra acontecer, o roteiro bem escrito e as atuações ajudam a mascarar esse problema, mas ele tem um ritmo lento demais que poderia ser melhor com pelo menos dez minutos a menos, principalmente no primeiro ato.

Michael Sheen em cena de Apóstolo. Personagens de mais para funções de menos. (Divulgação/Netflix)

Michael Sheen em cena de Apóstolo. Personagens de mais para funções de menos. (Divulgação/Netflix)

Talvez seu marasmo não se dê nem pelo excesso de variáveis na trama. Sim, existe um inchaço nela que nos faz esquecer que Thomas está lá atrás de Jennifer para início de conversa em muitos momentos, mas a falta de ritmo se dá justamente pela necessidade de estender ao máximo as cenas ou participação de alguns personagens que, no fim das contas, não tem tanta importância.

O personagem de Sheen, por exemplo, que prometia ser o principal antagonista do filme, termina como alguém sem função na trama quando Quinn (Mark Lewis Jones) é alçado ao posto de vilão principal sendo que fora apresentado como mero capanga nos primeiros quarenta minutos do filme. Poderiam unir esses dois personagens em um só sem prejuízo à trama. Muito pelo contrário, a tornaria mais ágil.

Por outro lado, Evans sabe como ninguém usar cenas de ação, algo já mostrado nos dois Operação Invasão e replicado em Apóstolo. As sequências de luta no filme são viscerais, brutais e que ajudam a construir uma tensão por colocar heróis e vilões quase em pé de igualdade. O herói pode acabar vencendo a briga, mas isso não quer dizer que ele não irá apanhar um bocado antes.

No fim, Apóstolo é um filme constante, suas falhas no ritmo e atribuição de alguns personagens não prejudicam o filme por completo. É uma boa contribuição para o cinema de horror que se orienta mais na ação visceral do que na sugestão, provando que dá para se reinventar de diversas maneiras.

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