Vale Ver | Brinquedo Assassino

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A franquia Brinquedo Assassino passou por altos e baixos desde sua estreia nos cinemas em 1988. Idealizada por Don Mancini, ela foi de um bom filme de suspense com doses de humor ao ápice (?) de retratar uma cena de sexo entre dois bonecos em O Filho de Chucky (2004). Cinema da melhor qualidade.

Um reboot se fazia mais do que necessário. Por mais que as duas últimas continuações da franquia original (A Maldição de Chucky, de 2013, e O Culto de Chucky, de 2017) tivessem introduzido ideias interessantes para a série, os nossos temores mudam com o tempo. Em 2019, brinquedos possuídos pelo espírito de um assassino em série não assustam tanto. Em 2019, o que assusta é a tecnologia fora de controle.

Ao menos é o que Brinquedo Assassino, lançado em agosto desse ano, propõe. Mas passa longe de fazer bem feito.

Antes de falar desse filme novo, vale lembrar que Mancini e os demais envolvidos na produção dos filmes originais não tiveram nenhum envolvimento nessa nova instância. Eles, inclusive, manifestaram descontentamento com a produção ao serem jogados para escanteio. O que cerca o remake (é um remake, não dá pra chamar diferente) de uma grande má vontade pela falta de consideração com Mancini e os demais envolvidos na produção dos filmes originais.

Mas vamos lá. Brinquedo Assassino (Child’s Play, 2019) acompanha Andy Barclay (Gabriel Bateman), um adolescente com problemas de audição e sem muitos amigos após mudar de cidade junto de sua mãe, Karen (Aubrey Plaza), uma funcionária de uma loja de departamentos.

Para tentar tirar o filho da bad, Karen consegue um boneco Buddi (voz de Mark Hamill), um brinquedo autônomo e assistente pessoal que aprende a se comportar de acordo com as necessidades do dono através de uma avançada inteligência artificial. Só que o novo amiguinho de Andy não é um boneco Buddi normal, guardando uma personalidade maníaca e violenta dentro de seus circuitos.

A versão dirigida pelo estreante Lars Klevberg joga fora todo o plot de boneco possuído pelo espírito de um assassino e transforma a violência de Chucky como fruto de um bug no algoritmo que dá vida ao boneco. Tudo isso porque o empregado vietnamita da fábrica responsável por construir os bonecos Buddi estava revoltado com seus chefes e digitou três linhas de código para fazer aquele boneco específico dar pau.

Sim, é por isso que Chucky fica malvado. Meio bobo, né? É, eu sei.

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O filme, nos dois primeiros minutos, faz questão de explicitar os porquês do boneco despirocar e isso anula qualquer potencial do filme em ganhar no terror pela falta de explicações.

Pior, ele abusa da nossa suspensão da descrença ao acreditar que pessoas de bom senso aceitariam colocar um brinquedo claramente defeituoso na mão de uma criança. Existem pessoas idiotas no mundo? Existem. Existem pessoas idiotas em filmes de terror? Existem, e como! Mas não exagera.

Brinquedo Assassino abre mão da coerência para colocar os personagens nas posições que deseja em busca de jump scares que não funcionam. O resultado é um filme que mais parece uma aventura infantil com um pouco de gore.

Existem bons elementos em Brinquedo Assassino, as mortes são inventivas e entretém tanto quanto o seu elenco carismático. Aubrey Plaza faz o que é possível com uma personagem rasa e Brian Tyree Henry merecia mais espaço como o único detetive em atividade na cidade de Detroit. Mark Hamill é sensacional dando voz à Chucky, mas também não agrega muita coisa além do nome, uma colagem das atuações dele na voz do Coringa daria no mesmo.

Brinquedo Assassino é um filme estranho. Diverte, mas não pelos motivos certos. Ele está mais para Pequenos Guerreiros (Small Soldiers, 1998), um clássico da Sessão da Tarde, do que algo que se assemelhe a essência dos seus predecessores. Na tentativa de atualizar a franquia, Chucky perdeu sua identidade.

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