Vale Ver | Cam

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A internet tem de tudo um pouco, sendo uma ferramenta que pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Cam é um suspense que explora (ou tenta explorar) essas facetas da rede mundial de computadores.

No filme, Alice (Madeline Brewer) é uma camgirl que realiza shows eróticos via internet sob a alcunha de Lola. Tudo que ela quer é ficar entre as top 50 garotas do site, ganhando notoriedade com shows criativos e um tanto mórbidos ao encenas suicídios em tela e, quem sabe uma vez bem sucedida, poder revelar para a mãe (Melora Walters) sua verdadeira ocupação.

A vida de Alice toma um rumo inesperado quando sua conta é roubada por alguém que começa a realizar shows em seu lugar. Decidida a recuperar sua identidade on-line, Alice trava um embate contra sua duplicata que talvez não seja o que ela esperava que fosse.

Dirigido por Daniel Goldhaber (que também assina o roteiro com Isa Mazzei), Cam é um filme complicado de analisar. Não por ser extremamente sutil em suas intenções e execução, mas sim por não saber aonde quer chegar. Ao fim da sua 1h34 de duração, você se questiona os porquês de ter dedicado esse tempo na jornada de uma personagem que parece não evoluir.

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Esperava muito mais de Cam, a temática da produção permitiria alegorias e debates interessantes sobre empoderamento feminino, exploração do sexo e exposição na internet, mas o filme não arranha nem a superfície desses temas. Não é um desserviço a ausência de algo mais profundo, mas é um pouco frustrante não ver essas oportunidades sendo usadas.

Talvez a questão da superexposição na internet é o que acaba ficando mais em evidência no filme se você forçar bem a análise. A impressão que fica é que Cam quis tanto brincar com seus subtextos e lançar teorias ao vento (Alice está louca? Ela morreu e não ficou sabendo? Serial killer? Algoritmo ganhou vida e substituiu pessoas reais?) que se esqueceu de oferecer material para o espectador trabalhar em cima. Quase como querer montar um quebra-cabeça com metade das peças faltando e sem imagem de referência.

Apesar de um roteiro que não parece saber o que fazer da vida, Cam é um bom filme pelo seu valor de produção, sabendo trabalhar suas cores ao separar através delas os diferentes mundos em que Alice transita. Talvez o maior trunfo do filme fique na presença de Madeline Brewer, a atriz tem um carisma espetacular e, se o filme consegue propor debates sociais e incentivar a criação de teorias mirabolantes, é por causa do talento da atriz.

O ponto é que talvez eu esteja exigindo demais de um filme que não pediu para tal. Entretanto, em tempos em que nossa atenção é disputada com outras cinquenta coisas ao mesmo tempo, ou você veste de vez uma roupagem de filme bem trabalhado em subtextos e seriedade, ou você chuta o balde e parte para a diversão descompromissada. Cam não faz nenhuma dessas duas coisas.

Assistiu Cam e tem suas teorias sobre o final curioso do filme? Deixe seus comentários!


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