Vale Ver – Doentes de Amor

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Fazer uma maratona de filmes para o Oscar nem sempre é uma tarefa fácil. Nem digo isso pela quantidade de filmes a serem assistidos ou pela dificuldade de encontrar certas obras.

O grande “problema” é que isso te induz a ver coisas que você normalmente não veria. Isso quer dizer que os filmes são ruins? Absolutamente não. Mas ao ver os filmes com pré-conceitos já estabelecidos, isso afeta consideravelmente a experiência.

Por outro lado, ao se obrigar a assistir todos os filmes, você acaba sendo surpreendido de forma positiva também. Não me refiro às grandes produções que estão concorrendo nas mais diversas categorias. Digo isso por conta daquelas que tentam concorrer, mas acabam sendo sufocadas pelas grandes.

E foi assim que eu conheci Doentes de Amor (The Big Sick, em inglês). O filme dirigido por Michael Showalter concorre apenas na categoria de Melhor Roteiro Original é a zebra deste grupo. Apesar de não ter a mesma pompa de seus concorrentes, como A Forma da Água ou Lady Bird, o filme encanta e vale a pena ser assistido.

Kumail Nanjiani interpreta a si mesmo em sua própria história, que também foi escrita por ele

Kumail Nanjiani interpreta a si mesmo em sua própria história, que também foi escrita por ele

A comédia romântica conta a história real do casal Kumail (Kumail Nanjiani) e Emily (Zoe Kazan). Ele é um comediante de stand-up paquistanês e ela é uma estudante de psicologia.

A história do casal começa em um show que Kumail faz em uma casa noturna em Chicago, onde o filme se passa. Da plateia, Emily interage com o humorista, que gera uma “repreensão” posterior em forma de cantada. E aí que a coisa começa a andar.

Olhando de forma simples, o filme não apresenta nenhum elemento novo ao gênero. Brincadeiras e amassos vão se desenvolvendo pela trama, como uma boa e velha comédia romântica. O que dá uma virada interessante na história é um dos panos de fundo ao qual ela se apega.

Kumail vem de uma tradicional família paquistanesa que, mesmo morando nos Estados Unidos durante décadas, não perdeu os costumes de sua terra natal. O problema para Kumail é que sua mãe, Sharmeen (Zenobia Shroff), busca a todo custo conseguir um casamento arranjado para o filho, o que traz uma ruptura ao casal.

bigsick

Após esse termino e a tentativa de superação do romance, uma doença grave põe a vida de Emily em risco e isso volta a “unir” o casal, mas aqui temos a mudança do núcleo da trama. Ao invés de manter o relacionamento com Emily, hospitalizada, Kumail passa a ter um relacionamento com seus agora ex-sogros Beth (Holly Hunter) e Terry (Ray Romano). Vale ressaltar a atuação de Holly Hunter nesse filme por seu papel de uma mãe que sofre com a incerteza do futuro da filha.

A relação entre eles não foge ao padrão de uma comédia romântica. O que começa de uma forma dura e sisuda, onde os pais da garota são totalmente contra o ex, isso vai se afrouxando conforme o desenrolar da trama, a ponto de Kumail quebrar barreiras e ser aceito pela dupla.

Por mais que os clichês estejam presentes na estrutura, Doentes de Amor funciona muito bem. Tanto a trama Kumail/Emily quanto a Kumail/sogros dá certo. Por ser um comediante de stand up, o humor é adequado no longa, muitas vezes se sustentando em brincadeiras com as tradições paquistanesas. Até as que são feitas para “quebrar o gelo” em momentos chaves, que na vida real soariam com inoportunas, elas tem o seu espaço.

A única parte da trama que não convence é o relacionamento de Kumail com seus colegas humoristas. Essas partes são carregadas a ponto de serem inoportunas. Em determinado ponto do filme, o paquistanês pede para que os amigos parem com certas piadas sequenciadas e você só vai conseguir pensar: ainda bem que ele pediu para essa galera calar a boca.

Outra parte que é um pouco cansativa é o núcleo paquistanês do filme. A interação familiar é um pouco chata, devo confessar. Apesar disso, a atuação de Zenobia Shroff como a mãe do protagonista deve ser exaltada. Ela encarna o típico personagem ao qual você gera antipatia pela maneira que ela age com o filho.

A verdadeira Emily, esposa de Kumail. Ela, ao lado do marido, roteirizaram o filme

A verdadeira Emily, esposa de Kumail. Ela, ao lado do marido, roteirizaram o filme

Zoe Kazan no pale de Emily também está muito bem no filme. A maior parte do drama do filme está sobre duas costas, já que Kumail Nanjiani é comediante e não acerta muito bem esse tom. Apesar disso, a garota também tem cenas divertidíssimas, como um desespero no meio da noite. Assista a essa cena e você vai entender o que eu digo.

Por contarem a própria história, por mais que os já citados clichês estejam presentes, o filme é uma delícia de se assistir. Ele consegue unir diversas situações inusitadas, que que num todo funciona bem. Uma pena que, muito provavelmente, ele não vá ganhar o Oscar de Melhor Roteiro. Apesar disso, ele já se fez vencedor no coração deste que vos escreve. Sério, assistam!


Este post só foi possível com a ajuda de Marilene Melo. Ela e muitas outras pessoas que acreditam no Junta 7 e tornaram-se nossos padrinhos Jotinhas. Colabore você também clicando aqui

The Big Sick

The Big Sick
7,4

Roteiro

9/10

    Atuação

    8/10

      Fotografia

      7/10

        Trilha Sonora

        7/10

          Edição

          7/10

            Pros

            • Atuações de Zoe Kazan e Holly Hunter
            • Clichês que funcionam

            Cons

            • Núcleo familiar paquistanês
            • Amigos do Stand up

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