‘Visages, Villages’ é tudo, menos uma obra de papelão

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Recentemente, dei uma uma pequena entrevista a um portal da cidade falando sobre o processo do pré-Oscar. Dicas e tal. Nela, falei que o bacana de assistir a cerimônia é que ela é imprevisível, e qualquer coisa pode acontecer. Lembram da selfie da Ellen DeGeneres ou do melhor filme sendo trocado ano passado? Pois é…

Na edição 2018, a cerimônia ainda está longe de acontecer, só rola em 4 de março, mas as curiosidades já começara. No almoço que reúne os indicados à premiação, uma “pessoa” chamou -e muito- a atenção.

A cineasta francesa Agnès Varda não pôde comparecer ao encontro que é realizado anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Tudo isso por conta da idade avançada de Agnés, que completa 90 anos em maio deste ano.

Apesar disso, a dona de um Oscar Honorário se fez presente de uma maneira para lá de criativa. Um totem de papelão seu, em tamanho real, apareceu na cerimônia e causou a alegria de quem ali estava. O responsável por isso, o fotógrafo e codiretor J.R., com quem Varda gravou o lindo documentário ‘Visages, Villages’, uma das gratas surpresas do Oscar 2018.

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Meryl Streep, Greta Gerwig e J.R juntos to totem

Visages, Villages se passa na França e retrata a parceria realizada entre Agnès e JR. A bordo de um caminhão estilizado para parecer uma gigantesca máquina fotográfica. Ele ainda é equipado com uma grande impressora, que dá a oportunidade da dupla criar e encantar as pessoas pelas pequenas vilas que eles passam.

Tanto Agnès, quanto JR, são conhecidos por questionarem a cultura da exibição das imagens e isso é retratado no documentário. Ao longo de toda a trajetória pelo território francês, a dupla entrevista pessoas reais e conhecem um pouco da história, tanto do local, quanto da pessoa em si.

Uma das coisas mais curiosas do filme é como JR consegue criar sobre algumas ideias que Agnès já havia realizado muitos anos antes. É interessante ver como um choque de idade existe mas, apesar disso, a química entre os artistas funciona muito bem, seja na área profissional ou na pessoal.

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Uma das primeiras obras realizadas no documentário, em uma cidade francesa de mineradores

Por contar histórias reais e exaltar as mesmas figuras, Visages, Villages é um documentário fácil de se assistir, principalmente pela leveza que ele transmite. Suas quase 1h30 de duração passam tão que rápido que, quando você vê, já acabou.

A briga pelo Oscar de Melhor Documentário não será simples. Dos que eu já assisti, seu principal concorrente deve ser Ícaro, da Netflix. Agora só nos resta esperar e torcer por essa obra encantadora.

Dirigido e escrito por Agnès Varda e JRVisages, Villages foi lançado no Festival de Cannes de 2017 e eleito pela revista Time um dos 10 melhores filmes do ano passado. Aqui no Brasil, ele estrou no início de janeiro.


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